INAUGURAÇÃO DA GALERIA DO CONVENTO
05 de junho de 2007
A Universidade Candido Mendes resgata a história de nosso país e, em ato solene, entrega à população do Rio de Janeiro um espaço nobre e recuperado, para que seja um ponto de referência na Cultura de nosso Estado.
 
 
[+] Matéria publicada no jornal "O Globo" em 03.06.07
Veja abaixo um breve histórico do Convento do Carmo:
Segunda metade
do século XVI

Ermida de Nossa Senhora do Ó (com a imagem da padroeira ainda existente como Nossa Sra. do Parto, na Igreja situada na Rua Rodrigo Silva) com respectivo hospício (casa de romeiros). O local da Ermida situava-se onde hoje é a Igreja de Nossa Senhora do Carmo da antiga Sé, sobre a qual falaremos mais adiante. O fato de ambas as denominações se referirem à mesma devoção se dá em razão da parte final do Salve Rainha (Salve Regina) referir-se à Maria como: Oh Clemens, Oh Pia, Oh Dulcis Virgo Maria, muito recitado outrora durante trabalho de parto.

1589 Ocupação da Ermida e hospício pelos monges beneditinos para instalação da Ordem no Rio de Janeiro;
1590 Mudança dos Beneditinos para o morro onde até hoje possuem mosteiro e ocupação da Ermida e hospício por Frei Pedro Viana, carmelita calçado e seus companheiros para criação de convento em nossa Cidade;
1611 Obtenção da câmara (Senado da Câmara da Mui Leal e Heróica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro) do terreno de constituição do futuro Convento do Carmo;
1619 Início da construção do Convento do Carmo com a obtenção pelos carmelitas, da parte do Governador Rui Vaz Pinto, de pedra e outros materiais necessários à construção do Convento. A área do entorno conventual ficou delimitada à frente pelo Terreiro do Carmo (hoje Praça XV de Novembro), o qual os frades carmelitas conseguiram manter sempre como área non aedificandi em razão da necessidade de arejar as dependências conventuais, pela Rua da Vala, depois do Cano (originalmente para esgotamento das águas da Lagoa de Santo Antonio, hoje Largo da Carioca, depois para passagem da tubulação em pedra que abastecia o chafariz então junto ao mar – da Pirâmide do Mestre Valentim e do que lhe antecedeu), pela Rua de Trás do Carmo, atualmente Rua do Carmo e pela Rua do Padre Bento Cardoso, depois da Cadeia, a seguir da Cadeia Velha, hodiernamente da Assembléia;
1808 Desocupação do Convento pelos frades carmelitas e transferência dos mesmos para a Ermida de Nossa Senhora da Lapa do Desterro por ato do Príncipe Regente Dom João em nome de sua mão a Rainha Dona Maria I, onde ainda se encontram como Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro, razão do nome daquele bairro carioca (Lapa) e ocupação do prédio como depósito da Real Biblioteca, aposentos privados de D. Maria I e Ucharia Régia, com construção de passadiço em madeira ligando o antigo Convento ao Palácio ou Passo dos Vice-Reis e Casa de Fundição, como Paço Real ou Palácio do Rio de Janeiro (forma como era oficialmente conhecido), este, por sua vez, também unido ao prédio do Senado da Câmara, desocupado pela vereança para as necessidades da Família Real;
1822 A Ucharia Régia passa a ser a Ucharia Imperial, continuando unida por passadiço ao Paço imperial ou Palácio do Rio de Janeiro e este ao que será, a partir de 1827, a Câmara dos Deputados da Assembléia Geral e legislativa do Império do Brasil, motivo pelo qual a Rua da Cadeia Velha (alusiva à função de presídio do térreo do prédio do Senado da Câmara da Cidade do Rio de Janeiro) passou a denominar-se, a partir de 1857, como Rua da Assembléia. Neste mesmo ano foi demolida a portaria do antigo Convento do Carmo, o qual ligava este prédio ao que fora a Capela Conventual, transformada em 1808 na Capela Real e Catedral da Sé de São Sebastião do Rio de Janeiro, passando a Rua a chamar-se Sete de Setembro, com a construção de passadiço ligando a então Capela Imperial e Catedral à Ucharia Imperial;
1890 Demolição do complexo de passadiços ligando o vazio Convento do Carmo, apenas ocupado no térreo e no último pavimento pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (as dependências palacianas ficavam no andar sobrado, já a parte de serviço na parte que forma um “L” voltada para a Sete de Setembro. É desta época também o fechamento das lojas de costura e modas e armarinhos existentes no térreo durante o período monárquico, não havendo notícia do encerramento destes negócios no local em data anterior, mas certamente não continuaram com o início da República;
1891 A Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro passa a ocupar parte da lateral do prédio que dá para a Rua Sete de Setembro;
Final da 1ª. década do século XX Reforma da fachada frontal e de ambas as laterais do prédio principal ao gosto eclético com instalação, possivelmente em 1911 daquele que pode ter sido o primeiro elevador da Cidade do Rio de Janeiro, ou pelo menos é o mais antigo ainda em funcionamento com as suas características originais, mandado encomendar pelo Barão do Rio Branco, quando Presidente do IHGB, à W. S. Tyler Company de Cleveland, Ohio, EUA;
1910 Transferência da Academia de Comércio do Rio de Janeiro da Escola Politécnica, no Largo de São Francisco de Paula, onde se encontrava desde a sua fundação em 1902, para o antigo Convento do Carmo, dividindo espaço com o IHGB. O mesmo ato governamental da União concedeu boa parte do térreo ao Museu Comercial, entidade criada e mantida pela mesma Academia;
1913 Saída do IHGB e ocupação da área que servia a este Instituto também pela Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, a qual retirou-se para sede própria na Praça da República, pelos anos trinta do século XX;
1919 Constituição, no mesmo prédio, da Faculdade de Ciências Econômicas da Academia de Comércio do Rio de Janeiro;
1932 Transformação da Faculdade referida no item anterior em Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas do Rio de Janeiro e uso de parte do prédio, por período de mais de vinte anos, pelo Centro Dom Vital, concomitantemente pela redação de sua revista, “A Ordem”, junto com a Liga Eleitoral Católica – L.E.C., a Associação de Universitários Católicos – A.U.C. e a redação de sua revista “Vida”, a Confederação dos Operários Católicos, todos reunidos sob a égide da Coligação Católica, dirigida pelo Padre Leonel Franca, ai também sediada, além da Livraria Anchieta, no térreo, e de capela onde primeiro se dispôs de altar que permitisse a celebração tanto de costas (como era usual), como de frente para os fiéis, após o ganho em ação movida pela Mitra Arquidiocesana contra o Governo Federal requerendo a devolução do prédio à Igreja Católica devido ao fato de que o mesmo não era mais necessário ao uso pela Família Real e depois Imperial devido à queda da Monarquia, não tendo também qualquer outra destinação pelo Estado que justificasse a sua posse pela União;
1934 Realização no mesmo local do I Congresso Católico de Educação, onde se firmam as posições da Igreja contrarias a aspectos doutrinários da “Escola Nova”;
1943 A Academia de Comércio do Rio de Janeiro é extinta por imposição de reforma do ensino médio e substituída pela Escola Técnica de Comércio Candido Mendes – ETCCM, como homenagem da mantenedora, a Sociedade Brasileira de Instrução – SBI, ao fundador desta em 1901 como também da dita Academia e da FCPERJ, o Conde Candido Mendes de Almeida, falecido em 1939;
1953 Fundação e funcionamento no velho edifício da Faculdade de Direito Candido Mendes por iniciativa de Candido Mendes Júnior, também em referência ao velho Conde, seu falecido pai, como processualista penal, um dos autores do Código de Processo Penal ainda vigente e introdutor no Brasil do “sursis” (suspensão condicional da pena) e do livramento condicional, dentro de perspectiva de conseguir a constituição, após esta, de mais uma unidade de ensino superior que ensejasse a criação da própria universidade, em face da não incorporação da FCPERJ pela Universidade do Rio de Janeiro, depois do Brasil;
Anos cinqüenta A Mitra Arquidiocesana, após cogitar de demolir o velho ex-cenóbio carmelita para ali edificar a sede da Universidade Católica (hoje Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), vende-o ao Banco do Brasil, o que resulta na saída do Centro Dom Vital e no início da campanha jornalística movida por Candido Mendes de Almeida Júnior*, através da revista “Singra” (Suplemento Intergráfico), distribuído como encarte em diversos jornais em todo o Brasil, pela não demolição deste marco histórico de nosso país, o que lograria pleno êxito com o tombamento da vetusta edificação pelo IPHAN, porém não viveria para ver a sua vitória, pois faleceu no ultimo dia do ano de 1962;
1964 Tombamento em 31 de julho deste ano, no Livro Histórico, sob o nº.375, em processo de nº.0689-t-62, do antigo Convento do Carmo do Rio de Janeiro, coroando os esforços de Candido Mendes Júnior pela ação de seus filhos Candido Antônio e João Theotônio Mendes de Almeida, o primeiro enquanto sucessor do pai a frente das entidades de ensino que ele dirigira, afastando assim, de vez, o fantasma da demolição;
1997 União da Faculdades de Ciências Políticas e Econômicas do Rio de Janeiro – FCPERJ e de Direito Candido Mendes – FDCM (inclusos os cursos ministrados em Ipanema) mais a Escola Superior Candido Mendes (instituída em 1967) como matrizes da Universidade Candido Mendes, servindo todo o prédio como Reitoria, parte da mencionada Escola Superior, Fórum Universitário Candido Mendes e Grande Galeria do Centro Cultural Candido Mendes;
2007 Obras de restauração desmontam as antigas paredes divisórias das lojas que existiam no térreo ao tempo da monarquia e redescobre antigo salão com arcos abatidos em tijolos onde, muito possivelmente, era o refeitório conventual, tornando-o “Galeria do Convento”, com a exposição permanente de obras de arte do acervo do Centro Cultural Candido Mendes.
website stats