| APRESENTAÇÃO |
A multiplicidade de critérios implícitos nos almanaques existentes - além da enorme variedade de informações dificilmente comparáveis – me estimulou a consolidar os manuais disponíveis, na medida em que pudessem ser registradas em um único volume as informações relativamente comparáveis. Assim, nem todos os dados dispersos nos volumes citados foram aqui reunidos. Em compensação, alguns países foram acrescentados aos originariamente recolhidos naqueles almanaques, e várias de suas estatísticas internacionais foram completadas e atualizadas. À consolidação mencionada somaram-se os dados agregados relativos às eleições parlamentares brasileiras de 1945 a 2006, para a Câmara dos Deputados e assembléias legislativas. Os anuários estatísticos e os censos demográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os boletins eleitorais e dados estatísticos publicados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e por alguns tribunais regionais constituíram as fontes fundamentais para a consolidação das informações sobre o Brasil. Além disso, a presente publicação valeu-se de trabalhos independentes e anteriores como Que Brasil é Este?, coordenado por mim, Violeta M. Monteiro e Ana Maria L. Caillaux, e Dados Eleitorais do Brasil, organizado por Jairo Nicolau. Em razão de estudos comparativos anteriores ou paralelos, observei a extraordinária relevância de boa variedade de informações, que, apesar de não registradas em nenhuma fonte, são, todavia, mencionadas nas análises políticas correntes. Entre outras, freqüentam as investigações dados sobre votos nulos e brancos, sobre absenteísmo eleitoral, tamanho de bancadas e número de candidatos. É notória, ademais, a importância de certos índices, obtidos mediante cálculos efetuados sobre os números originais, para a análise longitudinal e para a comparação entre diferentes unidades no mesmo ponto do tempo. Tais informações suplementares, bem como os índices calculados, que têm por base números inalteráveis, são igualmente imutáveis. Por exemplo, o número de eleitores de qualquer estado brasileiro, em qualquer ano, é aquele aqui registrado e jamais (exceto por algum erro de impressão, é claro) será modificado. O mesmo vale para o tamanho das bancadas de deputados federais e para o número de candidatos que concorreram a essas vagas. Quando, em outro exemplo, se computa o quociente legal para a eleição de um deputado federal em algum estado, o número resultante expressa a aplicação da legislação do momento aos números daquela eleição. Estando a legislação consagrada nos documentos do passado e sendo o número de vagas disponíveis, a cada eleição passada, também incorrigível, os quocientes legais para a eleição de deputados federais foram os que estão aqui dispostos, não sendo passíveis de alteração no futuro.Os índices transcritos neste site fazem parte da literatura contemporânea; por isso, decidi proceder à computação necessária transcrevendo os resultados, a fim de poupar aos pesquisadores a repetição dos mesmos cálculos a cada pesquisa. É algo análogo a uma tábua de logaritmos, a que se recorre para economizar tempo. Por isso, os índices de fracionalização e o número efetivo de partidos, entre outros, foram acrescentados ao registro de dados, desonerando a tarefa dos pesquisadores. Finalmente, integra ainda este almanaque, sempre que as fontes primárias o permitiram, uma seleta miscelânea de informações importantes para a análise política. Incluem-se nesta categoria as menções a quedas de barreira à participação eleitoral, ao caráter do voto (compulsório ou voluntário), à classificação dos regimes políticos, ao tipo de representação (majoritária, proporcional), etc. O conjunto total de informações foi, então, organizado tal como descrito a seguir. Os dados brutos a partir dos quais os arquivos foram elaborados correspondem aos resultados de todas as eleições realizadas entre 1945 e 2006 para a Presidência da República, o Senado, a Câmara dos Deputados, as assembléias legislativas dos estados e os governos estaduais, além de diversas eleições internacionais, estas últimas para períodos variados. Todos os resultados brasileiros são apresentados em três diferentes níveis de agregação: unidades da federação (estados, territórios e Distrito Federal), macro-regiões geográficas do país (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste), e o Brasil como um todo. Já as tabelas internacionais são agregadas somente por país e de acordo com o cronograma eleitoral de cada um. A parte internacional está dividida em dois conjuntos de países: 1) os que fazem parte da OCDE; 2) os que pertencem à região da América Latina e do Caribe. No conjunto da OCDE não estão incluídos os países que se tornaram membros da OCDE depois de 1994 (Hungria, República Tcheca, Coréia, Polônia e República Eslovaca) e a Turquia por ausência de informações. Incluiu-se Israel pela disponibilidade de informações. No conjunto da América Latina e Caribe foram incluídos os países com informações disponíveis nas fontes utilizadas e com razoáveis séries estatísticas. No primeiro conjunto encontram-se: Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Espanha, EUA, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Israel, Itália, Japão, Luxemburgo, México, Noruega, Nova Zelândia, Países Baixos, Portugal, Reino Unido, Suécia, Suíça. O segundo conjunto é formado por: Argentina, Bahamas, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Equador, Guatemala, Guiana, Honduras, Jamaica, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Suriname, Trindade e Tobago, Uruguai e Venezuela. Este grupo de tabelas compreende períodos variados, de acordo com as fontes disponíveis, a maioria no intervalo 1945-1994. Para atiçar a curiosidade do leitor, trancreveu-se um levantamento não exaustivo das tentativas de golpes na América Latina. Finalmente propicia-se ao leitor não-especialista breve explicação sobre a construção dos índices; lista de siglas partidárias desde 1945 e a bibliografia utilizada. (Adaptação do Prefácio da edição impressa: Votos e Partidos: almanaque de dados eleitorais: Brasil e outros países. Organização de Wanderley Guilherme dos Santos, com a colaboração de Fabrícia Guimarães. Rio de Janeiro: Editora FG, 2002.)
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