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RELAÇÃO
MARCA E CONSUMIDOR
A Marca, de tempos em
tempos, pode testar algumas infidelidades
em seu formato na busca de novas paixões
(ou apaixonados). O Consumidor algumas
vezes experimenta a infidelidade ao
usar novas Marcas e constatar se sua
antiga paixão é realmente
satisfatória aos seus desejos
e necessidades
atuais. Na seara da infidelidade, também
considera-se que o desembolso de quantias
pode estar exagerado, seja pelo custo
ou pelo preço. Se o Consumidor
modifica seu comportamento, verá
sua Marca procurando por outro. Modifique
as características de sua Marca
e verá o Consumidor
procurando por outra.
Está estabelecido
o conflito para o Consumidor: ser fiel
à paixão ou ao seu bolso?
No caso da Marca, ser fiel ao Consumidor
ou à possibilidade de crescimento,
desenvolvimento, enfim, de ganhos em
potencial?
Em primeiro lugar, deve-se
pensar no que ocorre para a existência
da fidelidade.
ADOÇÃO
OU PAIXÃO?
Baseado na romântica
descrição de processo
de namoro entre Marcas e Consumidores
do jornalista Pyr Marcondes, autor do
livro “Marcas – Uma História
de Amor Mercadológico”,
pode-se traçar um paralelo entre
o processo de adoção e
o processo de paixão por uma
Marca. Vejamos:
A Conscientização
é a percepção de
uma Marca e pode ser traduzida por “Sedução
– Eu vi você”. “Quando
uma dona de casa olha e não vê,
mas registra, aquela Marca desconhecida
na prateleira do supermercado, ali começa
uma paixão.” Passa-se então
ao Interesse, quando o Consumidor tem
vontade de ter um produto daquela Marca.
Este momento percorre o estágio
do toque, pelo qual a paixão
vai crescendo em virtude da avaliação.
A Experimentação “migra
dos olhos para as mãos, para
a boca, para o corpo todo... existe
uma inevitável sensualidade nisso
tudo, uma sensualidade
que muitas vezes nem nos damos conta,
mas que é impossível de
evitar”.
Perfeito: a Adoção se
conclui ou, simplesmente a Marca diz:
“Paixão – Eu peguei
você!”
Nem tudo é só
romantismo. O Consumidor apaixona-se
pela Marca porque encontrou qualidades
que foram percebidas através
da imagem dela.
A IMAGEM E A
HORA DA VERDADE
Uma Marca é um
nome, porém, por si só
um nome não cria imagem e experiência.
A Marca é capaz de fazer com
que as pessoas se lembrem de experiências
efetivas ou até mesmo experiências
que não tiveram, mas gostariam
de ter. Neste caso, a Marca foi capaz
de fazer com que o Consumidor percebesse
a experiência que poderá
usufruir ao consumi-la. Tal Consumidor
não teria essa capacidade se
a Marca não fosse forte, pois
assim seria apenas um nome com imagem,
sem expressão, sem a tangibilidade
que o amor cria.
A imagem da Marca transmite
a idéia do contato que as pessoas
têm com ela, além de influenciar
na sensação de que o Consumidor
vai obter um bom valor de compra. Caso
não tenha havido ainda o consumo,
ele é motivado a se interessar
e experimentar. Até então,
segundo Philip Kotler, o interessado
não consumiu o produto, mas “a
imagem que tem dele”. Neste momento
de consumo ocorre a xperiência
de Marca, a hora da verdade.
O monitoramento de todos
os pontos de contato do Consumidor com
a Marca deve ser feito com muito cuidado,
para que se mantenha a experiência
à altura da empresa. Por exemplo,
a Brahma associa a imagem do chope à
do bar (“Se o bar é bom,
o chope é Brahma”). Certamente
a experiência do
Consumidor do chope Brahma será
afetada pelos pontos de contato com
o produto, tais como o bar onde está
consumindo, a temperatura do chope,
o atendimento do garçom, o aspecto
visual e de asseio do ambiente, o preço
da tulipa, etc. Tudo compõe o
sedutor ambiente onde o Consumidor se
entrega à paixão.
AS DIFERENÇAS
PODEM ESTRAGAR TUDO
Quantos amores resistem
às diferenças? Nem sempre
fins trágicos como o de Romeu
e Julieta são belos. Montecchios
e Capuletos, cultos e incultos, amantes
do samba e do rock se encontram, se
apaixonam, se amam e resistem às
diferenças sempre? Qualquer ruído
pode estremecer relações
que à primeira vista são
tidas como sólidas. Imaginem
o estrago causado a uma Marca global
que poderia ter tudo para se estabelecer
num mercado de consumo com culturas,
experiências, vivências
diferentes?
Retomando a idéia
de Philip Kotler de que “não
consumimos os produtos, mas sim a imagem
que temos deles”, podemos afirmar
que essa imagem é um resultado
do planejamento e execução
do Marketing, que considera, nos tempos
atuais, o mundo globalizado. O Marketing
de rede pretende construir a imagem
da Marca da forma mais abrangente e
padronizada possível. Isso é
importante, é o que nos dá
a garantia de que podemos comer um hamburger
no padrão Mac Donalds em qualquer
lugar do mundo.
De certa forma, a replicabilidade
não é totalmente garantida
devido a variáveis como, por
exemplo, a cultural. Hamburgers de carne
bovina não devem ser vendidos
na Índia, já que a vaca
é um animal sagrado para aquele
povo. Trata-se de diferenças
culturais que funcionam como agentes
de abalo nas relações
e que impedem a perenidade das paixões.
THEODORE LEVITT
X JOHN QUELCH
Comparemos, então,
duas linhas de pensamento das mais renomadas
e respeitadas do Marketing atual: Theodore
Levitt e John Quelch. Enquanto Theodore
Levitt afirma que “A integração
cultural permite vender os mesmos produtos
no mundo todo”, John Quelch analisa
a necessidade de se “pensar localmente”
na construção de Marcas.
Um bom exemplo está nas ações
da Coca-Cola no Brasil.
A Coca-Cola tinha como
bordão no meio business a frase
“pense globalmente, haja localmente”.
Isso demonstra sua preocupação
de atuar globalmente como rede mas pensar
localmente. Durante muito tempo a Coca-Cola
já era vendida em embalagens
de lata, no entanto no Brasil ainda
consumíamos em embalagens de
vidro ou plástico pelo simples
fato de que nosso parque industrial
ainda não produzia “latinhas”
de qualidade e em quantidade condizente
com a demanda estimada. Para oferecer
o produto em latinhas no Brasil, ou
se importariam as embalagens, com custo
muito alto, ou se investiria na parceria
com produtores locais para início
da produção das novas
embalagens.
Enquanto as condições
não foram viáveis, e considerando
que uma política de educação
para o uso reciclável das latinhas
também era um trabalho paulatino,
a Coca-Cola permaneceu por um bom tempo
comercializando seu produto em embalagens
de vidro que eram devolvidas pelos Consumidores
finais aos comerciantes e destes para
a indústria. Isso demonstra que
se um Capuleto deseja o amor de um Montecchio,
ele deverá adaptar-se ao contexto
da segunda família, sob pena
de, se não o fizer, ser
severamente castigado pelo rompimento
de sua relação de paixão
com o Consumidor.
Ainda, no caso do Mac
Donalds indiano (ver item anterior),
esta rede precisa investir em ações
locais de Marca para que sua imagem
seja adaptada à cultura da Índia
e não propiciar um índice
de rejeição
naquele país, o que pode gerar
uma política de produtos adequada
à realidade local. Caso contrário,
concorrentes locais (ou mesmo globais)
poderão investir em um modelo
de negócio semelhante ao daquela
rede americana, porém com tradição
local, produtos nacionalizados e adequados
à realidade cultural indiana,
permitindo inclusive preços inferiores
que cativem o público menos abastado.
A estratégia de
preços inferiores é comum
em qualquer lugar do mundo, pois caso
os produtos da concorrência tenham
a mesma qualidade, é “lugar
comum” a dedução
de que o Consumidor será mais
fiel ao “seu bolso” do que
à “Marca global”.
A relação, então,
se desgasta, fazendo com que a paixão
pela Marca possa até mesmo se
transformar naquele sentimento tão
próximo e destrutivo: o ódio,
a rejeição radical.
No caso de qualidade inferior
para o produto da localidade, o Marketing
local considera a penetração
em mercados Consumidores de menor poder
aquisitivo que, da mesma forma, teriam
dificuldades de consumir o produto da
Marca global.
MARKETING DE ADAPTAÇÃO
É interessante,
portanto, construir a imagem global,
a imagem de rede, etc, mas com flexibilidade
suficiente para adequações
às questões locais e adaptações
com ações locais de Marca.
Isso é o Marketing de Adaptação.
O Marketing de Adaptação
é uma nova vertente do Marketing.
Este, ora ciência, ora arte, certas
vezes informações, outras,
percepções, está
sempre dedicado a satisfazer as necessidades
e desejos de seus Clientes, criando
verdadeiras relações de
amor e paixão que estão
presentes durante todo o dia, toda a
noite, 24 horas, 7 dias por semana nas
vidas dos Consumidores. No mundo de
hoje não se pode negligenciar
à adequação à
realidade do Consumidor. Não
mais se percebeu, mas está constatado
que
o nível de exigência do
mercado consumidor é alto e que
esse adota as marcas por paixão
e mantém-se fiel por conveniência.
O Marketing de Adaptação
entra nessa parte, ser objeto de paixão
agregado à sensaçãode
conveniência de seus amantes.
Pergunte a seu Consumidor:
“Você dormiu com sua Marca
hoje?” Muito provavelmente ele
dirá que sim. Se não dormiu,
que pena ... ele não sabe o quanto
é bom dormir com quem se ama.
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