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A relação de um professor
e seus alunos é, inicialmente,
norteada pelo estabelecimento de um
conteúdo programático
e pelo cumprimento de regras, mas, pela
experiência do professor, atentando
para o comportamento dos seus alunos,
poderá, no devido tempo, proceder
a um novo ritmo ou a pequenas correções
de rumo.
Estará, assim, respeitando não
somente a todos como também a
si próprio, pois saberá
perceber que as mudanças, se
implementadas, não alterarão
o seu cronograma, mas estarão,
isto sim, atendendo aos anseios daqueles
que esperam que ele seja um perfeito
condutor de ações geradoras
de transmissão de conhecimentos,
adequadas e atualizadas para o tempo
em que vivemos.
A partir do conhecimento recíproco,
das observações geradas
e aceitando as devidas críticas
e análises realizadas por todos,
algumas mudanças na relação
professor - aluno, poderão ou
não acontecer. O que se tem como
histórico, é o caminhar
sereno, com poucas lembranças
em virtude da inexistência de
mudanças e percepções
registradas, o que acaba por gerar,
nas mentes dos alunos, apenas vagas
recordações daqueles que
um dia foram seus professores. O alívio
do aluno pela aprovação
garantida e pela continuidade da sua
caminhada na busca do seu projeto maior
de conclusão, é o seu
grande objetivo, antevendo, até
mesmo, prematuramente, os preparativos
de sua formatura. Este é, sem
dúvida, o pensamento generalizado
e mais freqüentemente observado.
Em algumas ocasiões, já
mesmo no primeiro período, se
vislumbra todo o cerimonial de conclusão,
agradecimentos devidos e a ansiedade
pela partida para o cumprimento e as
responsabilidades de uma nova etapa
em suas vidas profissionais, pois o
aluno julga que terá, naquele
instante, concluído o maior projeto
de sua vida.
No entanto, para que fique registrado
quem foi de fato um professor que deixa
marcas e lembranças positivas,
é necessário que este,
observando ao longo do tempo, as ações
e posturas de seus alunos, tente sempre
buscar a satisfação, a
participação interativa
e a troca permanente de experiências,
trazendo à sala de aula a mais
pura essência da vida e das histórias
de cada um, a fim de que os momentos
de encontro sejam prazerosos e duradouros.
Ao fazê-los perceber que a sua
missão de ensinar passa a obter
o retorno esperado, provando, até
mesmo aos mais céticos, a importância
do que lhe move e estimula a transmitir
de forma incessante aquilo em que acredita,
é de se imaginar, que neste exato
instante, todos estarão entrando
em um grau de harmonia e sintonia perfeitos,
o que é, em síntese, a
razão da realização
profissional do professor e os motivos
que os alunos têm de ali estarem
dia após dia.
Saber desempenhar de fato o papel de
um verdadeiro professor não é
uma tarefa simples, é propósito
de vida, é renúncia a
tudo o que o cerca e, por fim, é
necessário o dom de conseguir
defender suas idéias e suas experiências,
estimulando seus alunos a quererem obter
o melhor resultado, aliados ao conhecimento
mútuo e permanente. Somente aquele
que for capaz de perceber nos olhos
de cada aluno, identificando as sutilezas
das suas diferentes personalidades e
tendo a nítida consciência
de que todos alcançaram sutilmente
a importância da sua matéria
para a sua vida e o seu futuro, é
que estará , então, certo
de que seu trabalho foi e será
lembrado por um longo tempo. Ao professor,
bastará a certeza de ser reconhecido
e valorizado e nada, além disso,
poderá ser mais gratificante,
pois sua missão estará
plenamente cumprida.
Ao conseguir o cumprimento de sua missão,
este não será mais considerado
como tendo sido apenas mais um professor
mas terá, para seus alunos, o
reconhecimento de ser visto como um
verdadeiro mestre, pois terá
sido capaz de ministrar não somente
algumas aulas, por vezes cansativas,
mas de saber transmitir verdadeiras
experiências de vida e que, somadas
ao seu modo peculiar de ensinar, o faz
de forma marcante e definitiva.
Estarão, como conseqüência
deste processo, efetivados e consolidados
os vínculos Professor - Aluno,
que permanecerão para sempre,
pois para aqueles que vivenciarem aulas
e lições especiais, sem
que percebam, se verão apanhados
como que por uma armadilha que não
os deixarão mais se desvincular
um do outro, manifestando-se através
de contatos freqüentes que se consolidarão
a cada dia. Isto acontecendo, acarretará
ao mais novo mestre e perante seus alunos,
a admiração, gratidão,
respeito e eternas lembranças.
Quando se configura que os vínculos
se estabeleceram, descobre-se ainda
que os debates, discussões e
até as discordâncias ocorridas,
ficaram registradas como algo indispensável
e positivo para o aperfeiçoamento
de todo um processo e que, sem elas,
o professor não perceberia as
mudanças que viriam a ocorrer,
pois, quando bem intencionadas e no
tempo certo, sempre valerão a
pena. Ali, tem-se a certeza de que o
aprendizado foi mutuamente enriquecedor
e que, nas novas turmas, aquele professor,
transformado em mestre, em muitas ocasiões
se recordará dos momentos vividos
com os seus antigos alunos e, mesmo
já passado algum tempo, se tornarão
também lições importantes
para a sua própria caminhada.
Caberá, dali em diante, àquele
mais novo mestre, a permanente continuidade
de sua missão, buscando transmitir
aos mais novos um pouco de suas histórias
de vida, inserindo experiências
vividas e absorvidas de seus ex-alunos
e, sobretudo, ponderando, aperfeiçoando
e implementando constantemente novos
e melhores métodos de ensino,
julgados, até então, irretocáveis
e adequados, mas que na verdade se mostravam
pouco sensíveis as necessidades
de seu maior propósito; saber
que sua presença, sua postura,
sua percepção e seus ensinamentos
serão perpetuados e utilizados
como algo positivo para a vida de muitas
pessoas.
Na verdade, no início de um
trabalho, muitos são aqueles
que se habilitam a ser como o regente
de uma pequena orquestra desafinada
de alunos, mas muito poucos são
os que de fato conseguem deixar seus
nomes registrados para, ao final, terem
um grupo de músicos tocando em
perfeita harmonia e com notas musicais
que irão ajudar a conduzir suas
vidas em perfeita sincronização.
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