|
Possuímos todo o cosmos em nós,
pois temos o nosso universo interno,
muitas vezes secretamente adormecido
em alguns pontos, não pulsante,
porém latente.
A Terra, nosso planeta de origem e nossa
"casa maior", nos abriga a
todos com as nossas diferenças,
erros e ilusões fragmentadas
através dos nossos mundos individuais.
Convivemos neste planeta com o outro,
e através dele crescemos, trocamos
experiências, agimos e interagimos,
atuando como agentes de mudança,
transformando-o e transformando-nos
constante e continuamente. É
na relação social com
o outro que existo além, que
apreendo o mundo, que sobrevivo das
trocas, administro ganhos e perdas,
me alimento e alimento, gero recursos
e extraio deles a minha subsistência
enquanto ser social. Através
do outro posso me sentir, agir, reagir,
integrar-me com toda a minha complexidade
no sistema ou negá-lo. Através
do tecido social passo a "pertencer".
Em sendo importante para o outro, creio
no meu eu individual.
Minha identidade compartilha e absorve
através da linguagem, se realiza
nas minhas crenças, cresce através
da constatação do outro
e reflete nos meus hábitos, nas
minhas atitudes, na minha produção,
na minha expressão artística.
Sem o outro eu sou eu, mas me sinto
fragmento porque não pertenço.
Ainda sou espécie, sou bicho
homem, sou mamífero, tenho fome
e sede, dores e necessidades fisiológicas.
Preciso de segurança, carinho,
atenção, sexo, sono, atenção...Como
na tríade Corpo-Mente-Alma somos
"indivíduos, sociedade e
espécie", de acordo com
Edgar Morin, em "Os sete saberes
da Educação do Futuro".
Estes três elementos são
indissolúveis, multifacetados.
Ensinar a ética do futuro, a
reflexão a qual este texto se
propõe, significa compreender.
Compreender, do latim "comprehendere",
é conter em si, abranger, alcançar
com a inteligência, perceber,
entender. Compreender a natureza humana
em sua intrínseca rede complexa,
perceber o todo e as partes, as partes
e o todo, a unidade e a pluralidade
de aspectos humanos na sua condição.
A ética do futuro percebe e abrange
a constante transformação
planetária, cultural, social,
e considera a condição
humana no contexto. Contextualiza o
ser e o saber através da troca,
da interdisciplinaridade, do respeito
as diferenças, as diversidades
culturais, étnicas, raciais,
religiosas. A ética do futuro
entende as minorias, percebe-as em sua
"totalidade", não as
desintegra.
Ensinar a ética do futuro é
poder compreender, não abstrair
a parte do todo, é "enxergar
com os olhos de ver", integrando
indivíduo, sociedade e espécie
no todo, contextualizando sem esquecer
as diferenças que compõem
o nosso planeta, com a missão
clara de torná-lo melhor, mais
habitável e mais humano para
nós e para todos.
|