"Somos seres únicos, individuais. Cada um de nós possui sua própria essência, seu composto complexo de pensamentos, sentimentos, idéias, motivações, angústias e desejos. Cada um de nós "percebe" a verdade segundo sua própria miopia, como escreveu Drummond, em seu poema "Verdade". Eu não enxergo o azul da mesma forma que o outro, o azul que vejo é transformado pela minha sensibilidade."

Maria Cecilia Trannin
Consultora da Quadri Comunicação + Design
Professora de Marketing da Escola Superior Candido Mendes

 
ARTIGO

Possuímos todo o cosmos em nós, pois temos o nosso universo interno, muitas vezes secretamente adormecido em alguns pontos, não pulsante, porém latente.

A Terra, nosso planeta de origem e nossa "casa maior", nos abriga a todos com as nossas diferenças, erros e ilusões fragmentadas através dos nossos mundos individuais.

Convivemos neste planeta com o outro, e através dele crescemos, trocamos experiências, agimos e interagimos, atuando como agentes de mudança, transformando-o e transformando-nos constante e continuamente. É na relação social com o outro que existo além, que apreendo o mundo, que sobrevivo das trocas, administro ganhos e perdas, me alimento e alimento, gero recursos e extraio deles a minha subsistência enquanto ser social. Através do outro posso me sentir, agir, reagir, integrar-me com toda a minha complexidade no sistema ou negá-lo. Através do tecido social passo a "pertencer". Em sendo importante para o outro, creio no meu eu individual.

Minha identidade compartilha e absorve através da linguagem, se realiza nas minhas crenças, cresce através da constatação do outro e reflete nos meus hábitos, nas minhas atitudes, na minha produção, na minha expressão artística. Sem o outro eu sou eu, mas me sinto fragmento porque não pertenço.

Ainda sou espécie, sou bicho homem, sou mamífero, tenho fome e sede, dores e necessidades fisiológicas. Preciso de segurança, carinho, atenção, sexo, sono, atenção...Como na tríade Corpo-Mente-Alma somos "indivíduos, sociedade e espécie", de acordo com Edgar Morin, em "Os sete saberes da Educação do Futuro". Estes três elementos são indissolúveis, multifacetados.

Ensinar a ética do futuro, a reflexão a qual este texto se propõe, significa compreender. Compreender, do latim "comprehendere", é conter em si, abranger, alcançar com a inteligência, perceber, entender. Compreender a natureza humana em sua intrínseca rede complexa, perceber o todo e as partes, as partes e o todo, a unidade e a pluralidade de aspectos humanos na sua condição. A ética do futuro percebe e abrange a constante transformação planetária, cultural, social, e considera a condição humana no contexto. Contextualiza o ser e o saber através da troca, da interdisciplinaridade, do respeito as diferenças, as diversidades culturais, étnicas, raciais, religiosas. A ética do futuro entende as minorias, percebe-as em sua "totalidade", não as desintegra.

Ensinar a ética do futuro é poder compreender, não abstrair a parte do todo, é "enxergar com os olhos de ver", integrando indivíduo, sociedade e espécie no todo, contextualizando sem esquecer as diferenças que compõem o nosso planeta, com a missão clara de torná-lo melhor, mais habitável e mais humano para nós e para todos.

 

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