|
Quem já foi aos Estados Unidos
ou assiste a filmes americanos com certeza
já percebeu o número de
bandeiras americanas em toda parte.
O nacionalismo americano se este nde
pelo país e se expressa pelo
número de bandeiras nas casas,
nas ruas, nas roupas, nas cafeterias,
nos postos de gasolina, no dia-a-dia.
O símbolo do país está
em todas as partes. O orgulho pela pátria
põe as bandeiras para fora, a
exposição à 'MARCA'
gera mais orgulho e mais força
para a pátria. Faz o branding.
Técnica que pode ser usada para
o bem e para o mal, a construção
da MARCA com certeza pode ajudar a dar
estrutura a um país.
Mas países não são
homogêneos, especialmente os gigantes
geograficamente. As diferenças
sociais, culturais, regionais e até
mesmo raciais permeiam as relações
entre os cidadãos de um país.
Até hoje, no sul dos Estados
Unidos, existem salões de beleza
para brancos e salões para negros.
Igrejas para brancos e igrejas p ara
negros. O preconceito pode não
carregar mais as famigeradas plaquinhas
'For whites only' (somente para brancos)
vistas outrora na África do Sul,
mas está nos olhares, nas ruas,
nas vozes, descaradamente explícito.
Em uma determinada rua perto da ca pital
do Mississippi (Jackson), um lado da
rua têm lojas e serviços
atendendo aos brancos, o outro lado,
aos negros. Bairros inteiros fazem a
sua própria seleção
discriminatória. Agentes imobiliários
reconhecem a cor de quem telefona pelo
sotaque e, de acordo com a segmentação
do bairro, informam que não há
nada disponível ou que determinado
imóvel já tem compradores
em fase final.
Em uma determinada festa anual chamada
'hats off', são oferecidas homenagens
a cem mulheres negras que fizeram a
diferenç a com trabalhos comunitários
socialmente responsáveis. Ser
uma de duas convidadas brancas nesta
festa, por exemplo, foi para mim motivo
de muito orgulho. Ninguém falava
comigo, mas os olhares diziam 'Esta
deve ser uma branca diferente se está
aqui conosco'.
Fato é que só um símbolo
está em toda parte e pertence
ao povo na sua essência, a bandeira
americana. A bandeira é de todos
ainda que de diferentes formas. Indo
além do símbolo, podemos
observar que a força motriz do
patriotismo representada pela b andeira,
só conhece dois caminhos pelos
quais os preconceitos raciais, discrepâncias
sociais e divergências políticas
conseguem verdadeiramente destruir barreiras
e romper fronteiras visíveis
e invisíveis. São eles
a arte e o esporte. Michael Jordan,
Charlie Parker, Steve Wonder, Denzel
Washington, Tina Turner e Whoopie conseguem
verdadeiramente transpor os inúmeros
vazios e espaços que se formaram
entre as raças ao longo dos anos,
agradar e pertencer a todos.
É tempo de Copa do Mundo. Nossa
terra Bra sil se vestiu de verde e amarelo,
a princípio timidamente. A cada
dia, mais bandeiras foram enchendo as
ruas, os carros, as esquinas. Na esperança
do Penta, na força do esporte,
os brasileiros foram chegando perto,
participando, reclamando, xingando,
gritando, acordando de madrugada, se
unindo como uma nação.
Voltemos ao branding. Formar consciência
de uma nação é
como edificar e consolidar uma MARCA.
Segundo Jonh Kania e Adrian Slywotzky,
autoridades mundiais em estratégia
da empresa Mercer Managemen t Consulting
em Boston, 'quando os clientes têm
baixa percepção da MARCA
ou não confiam na MARCA como
representante de qualidade, eles migram
para outras. É preciso gerar
um elo emocional com a MARCA'.
A Nike conseguiu explorar a experiência
de MARCA porque seus clientes-alvo iniciais
- atletas profissionais - eram apaixonados
por seus esportes. Harley Davidson,
depois de beirar a falência, construiu
o seu branding sobre um estilo de vida,
exalando liberdade e aventura. Não
somos mais 90 milhões em aç
ão, mas 170 milhões na
expectativa. Expectativa de um novo
governo, incerteza sobre o porvir, esperança.
Não podemos migrar para outras
marcas, podemos até individualmente
emigrar, mas esta não é
a solução. Não
vivemos a era do 'Ame-o ou deixe-o'.
Assim, penso que com a Taça na
mão, devemos deixar as bandeiras
de fora. Construir a nossa MARCA, reforçar
o nosso amor por esta pátria.
De verde e amarelo, branding a MARCA
BRASIL.
|