"O que anda acontecendo com a Educação?
Não a Educação sistêmica, acadêmica ou literária, mas a Educação de pais para filhos?"

Cássia Borges
Professora da Escola Técnica Candido Mendes
Psicóloga
Psicoterapeuta Existencial

 
ARTIGO

Aonde estão os preceitos e valores da geração anterior para seus filhos adolescentes/jovens?
Percebemos que hoje, talvez por motivos da sociedade capitalista, observamos adolescentes e jovens ingressar bem mais cedo do que o previsto para a classe média, no mercado de trabalho. Jovens procurando se capacitar em diversos idiomas, informatizados, informados, ágeis... Mas mesmo assim falta algo: os valores e atitudes que os adultos faziam questão de demonstrar para os filhos como respeito, solidariedade, comunhão, diálogo... e aí? Quem ficou com este papel? O cotidiano escolar aponta-nos que a família deposita na escola este papel secular. Por que os pais estão terceirizando a Educação? A perpetuação dos valores da família, do elo, do afeto, da troca, da sociabilidade... podem ser acrescidos na dinâmica escolar, no que tange à interdisciplina, mas "cadê" a família? Aquela que cultuava e cultivava hábitos importantes, segredos das gerações, peculiaridades de cada brasão?

A interação família-escola se dá nesta constância e importante troca diária: sentar com seus filhos à mesa, conversar sobre temas polêmicos, questionar sobre as experiências cotidianas, manter aberto o elo de afetividade e confiança... estes princípios básicos da família não precisam e não podem ser supridos na escola, na educação curricular, mas sim no âmbito familiar. É a família responsável pelos primeiros princípios que servem de base para a construção integral de cada adolescente/jovem. Sem este começo respaldado na ética, no diálogo, na compreensão, na valorização diária das experiências e amadurecimento de cada um, o adolescente/jovem cresceria sem referencial, sem exemplo, sem modelo. Imagine um adulto sem memória viva de pessoas que influenciaram seu crescimento, seu desempenho, suas escolhas na vida.

Resgate creio seja a palavra chave para este momento crítico. Resgate da memória dos avós, aquelas experientes pessoas com quem por muitas vezes não conversamos. Resgate dos pais, estas pessoas que muitas vezes acreditamos ser alguém com métodos ultrapassados. Resgate da integração das gerações unificada na palavra família.

Família que soa e ressoa como algo novo dentro de experiências diferenciadas, mas que com esforço de cada um poderá ser resgatada. E para isso não precisa terceirizar a Educação, pois esta educação familiar não há como a escola abarcar, pois é particular, única e preciosa.

A escola? Já há tantas outras questões que são incumbidas a ela. A escola precisa da união da família, não da sua dependência ou omissão.

Viva a Big Family Brasil!

 

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