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A primeira revolução
industrial desvalorizou o trabalho muscular,
valorizando e utilizando as máquinas
a vapor. A seguir, foi a eletricidade
e, com ela, a desvalorização
do trabalho mental e de rotina. Atualmente,
e a largos passos, o pensamento humano
vai cedendo lugar para a precisão
do computador, que teve sua fase de
embrião já há muito
manifestada no telégrafo elétrico,
no rádio, no cinema e na TV.
O computador, ultrapassando tudo o que
a mente humana pode imaginar, já
é capaz de manipular e transformar
a informação automaticamente,
sem intervenção humana
(Simon, 1980), permitindo perguntar:
o que é que o cinema ficcional
de Spielberg /Kubrick chama de inteligência
artificial, naquela mistura de cálculos
e sentimentos? Além das já
mecanicizadas visão e audição,
será o computador capaz de apurar
os outros sentidos: olfato, tato e paladar?
E o sexto sentido, a sensibilidade dita
feminina? Alguns pensadores e estudiosos
já demonstram inquietação
com os futuríveis artilects,
os seres/máquinas com conhecimento
e capacidade de raciocínio que
ultrapassarão o humano.
A informação sempre representou
a grande parte da força no desprezível
jogo imposto pelo dominador ao dominado.
O conhecimento foi e é procurado
avidamente por aqueles que detêm
o controle sobre situações
diversas, numa eterna tentativa de manter-se
no poder. Um gatilho para a ação,
que significa controlar o alcance da
informação, fazendo com
que o outro seja mais facilmente dirigido.
Quanto menos argumentos tiver, mais
nula será a possibilidade de
reação. Isso evidencia
o fato de que houve um planejamento
estabelecendo quando, como e o quê
deveria e poderia ser permitido à
massa.
Foram necessidades fardadas que determinaram
os caminhos do desenvolvimento da máquina
pensante. A relação com
o computador sempre foi uma busca de
controle e de precisão: cálculos
rápidos e precisos utilizados
nas interferências militares.
Essa força, somada às
grandes viradas industriais - fordismo
e taylorismo, mais o galope da ciência
com seus gênios e suas fantásticas
mentes pulsantes formaram o Delta que
monopolizou/determinou os rumos da força
da informação.
Controlar a informação
passou a ser determinante, componente
não só do perfil do sabedor,
como também do perfil do forte,
do poder. Grandes empresas, buscando
o comando e o controle de mercados,
entenderam que o melhor empreendimento
seria a comunicação e
que dela a empresa viveria. Os computadores
e satélites passaram a ser mais
importantes do que operários
e fábricas, bens e serviços.
O hardware (bens materiais) é
engolido pelo software (dados, planejamento,
pesquisa e desenvolvimento).
A sociedade industrial tinha, como princípio,
a produção de bens e serviços.
A sociedade pós-industrial desenvolveu
a tecnocracia, dependente única
e exclusivamente da informação,
procurando soluções meramente
racionais, desprezando os aspectos humanos
e sociais dos problemas. A estrutura
industrial, somada aos esforços
científicos e à disciplina
militar, empreendeu a energia nuclear
e o seu uso diversificado numa terrível
força motivadora e uma cruel
influência modeladora. Então,
chegamos ao poder sem fronteiras, ao
empobrecimento e à miserabilidade
de muitos países. Estabeleceu-se
a necessidade da globalização,
que intenciona jogar todos os desiguais
numa mesma sacola.
Deu-se o casamento do computador com
as telecomunicações via
satélite, os cabo de fibra óptica
e o fim da imprecisão da informação.
Informações passaram a
ser compartilhadas de forma instantânea
e as mensagens padronizadas para platéias
uniformes. A quantidade ou a qualidade
da informação passou a
ser processada e selecionada para necessidades
especiais e individuais. Acesso ao sólido
e à fantasia: bibliotecas, arquivos,
bancos de dados, catequese, sexo, pornografia,
tudo on-line. A compressão de
espaço e tempo criando ritmo
diverso das sociedades do passado, que
eram limitadas por esse mesmo espaço/tempo.
O tempo real agora é contado
em nanossegundos.
Conhecimento passa a ser a inovação
técnica e crescimento econômico,
atividade-chave da economia e principal
determinante da mudança ocupacional.
A Economia de Informação
passa a ser o Produto Nacional Bruto,
com elevadíssimos percentuais
de trabalhadores em informação.
Hoje, grande parte da força de
trabalho já transita nesse tipo
de economia. Trabalho e capital acabam
por ser efetivamente substituídos
pela informação e pelo
conhecimento. A informação
supera terra, trabalho, capital. E o
capital formado pelo conhecimento predominará
sobre o capital material (Masuda, 1985).
Desperta interesse a discussão
acerca de como vigerá essa nova
sociedade de informação.
Será bem admitida e incensada
como uma conduta de vida? Uma sociedade
mais sã, sensível e sustentável,
decente e democrática? Ficarão
as pessoas mais atentas e mais cultas?
A informação sendo a nova
moeda do poder, poderá haver
uma sociedade pacífica e democrática,
uma era de abundância, cultura
e lazer? Comunidades voluntárias?
Sinergia?
Os novos tempos nos trouxeram o banco
24h, o débito automático
nos caixas, o fim dos cheques e o fim
do dinheiro em muitas transações
monetárias. Trouxeram os processadores
de texto, que nos corrigem sem pedir
permissão, sugerindo caminhos
tantas vezes discutíveis. O e-mail,
que se faz impessoal, com cópias
para todos os nomes da nossa lista virtual.
As reservas de hotel, as passagens aéreas
on-line e, quiçá, as interplanetárias.
Os novos tempos trouxeram os ajustes
instantâneos de preços,
a compra e venda de ações
24h. O telebanking, o teleshoping, o
teleworking. A teleducação???
E os portais de sexo, de bugigangas,
de piadas, de cartões virtuais
- caminhos para dizer "alô"
descompromissadamente, enquanto passamos
feito tratores sobre Proust e abortamos
ou deletamos as lembranças que
poderiam povoar as relações
Em busca do tempo perdido.
Transformados em escravos do computador,
numa contracorrente da globalização,
certamente vamos nos negando, nos automatizando
cada vez mais, andróides, escondendo-nos
e ficando mesmo à mercê
dos chips. Talvez a ficcional Caverna
do Nobel de Língua Portuguesa,
Sr. José Saramago, aponte nossa
realidade. Ajustamo-nos ao escuro/claro
dos novos e paranóicos tempos
e às sombras do mito de Platão.
Entre o real, o ideal e o virtual, o
descontrole da travessia de tantas fronteiras,
ocasionando a insegurança e o
medo. São tempos de falta de
comunicação maquiados
pelo excesso de informação,
ocidente versus oriente, burocracia
versus teocracia, quando se comprova
a fragilidade da segurança, sendo
burlada pelo silêncio de um suicida
tão destrutível quanto
um míssil. É a entropia
entre o distal e o proximal, o cerebral
e o braçal, o usual infernal
e o (a)moral, a fé e o fel em
tempos de automação beirando
a esquizofrenia, permitindo toda a Amnésia*
e deixando as (boas) lembranças
adormecidas, registradas em bancos de
dados acionáveis um dia.
* Artificial Intelligence,
de Steven Spielberg, EUA, 2001
* Memento, de Christopher Nolan, EUA,
2000.
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