"Segundo Michael Levy escreveu em seu livro Administração de Varejo (2000), o varejo é tão comum ao nosso dia-a-dia que freqüentemente o ignoramos. Os clientes desconhecem as elaboradas decisões de negócios e a tecnologia usada pelos gerentes para fornecer bens e serviços. Gerentes de varejo precisam tomar decisões complexas para selecionar mercados-alvo, a localização de lojas, quais mercadorias e serviços oferecer, negociar com fornecedores, bem como decidir o preço, a estratégia de promoção e a exibição da mercadoria."

Antonio Luiz M. Almeida Jr.
Diretor da Escola Superior Candido Mendes
Universidade Candido Mendes
E-mail: aluizjr@candidomendes.edu.br

 
ARTIGO

Para atender a um ambiente repleto de desafios e mudanças constantes de cenários econômicos e culturais, faz-se necessário promover uma revolução educacional no setor varejista. O setor sempre se caracterizou pela perspectiva da "mão na massa", aprende-se fazendo e não, necessariamente, nos bancos escolares. O preparo e formação de pessoas que estejam antenadas com a realidade sem perder o passo e a visão das novas tendências são de suma importância para a sobrevivência nos negócios.

Em geral, o início dos empreendimentos advém de questões estritamente comerciais, ou melhor, o foco, em geral, vem do negociante perspicaz que vende produtos e serviços de uso pessoal ou familiar aos consumidores, seus clientes. Com essa visão, são raros os que demonstram preocupação inicial com os aspectos de planejamento administrativo-financeiro, posicionamento de marca, qualificação das pessoas, mercadorias, estoques, planejamento de vendas, pesquisas de mercado, fornecedores, entre tantos fatores relevantes para o sucesso de um negócio.

Quando este comerciante sagaz depara-se com a concorrência avassaladora, brigando por centavos e pela oferta e promessa de serviços agregados aos produtos, neste momento da verdade percebe-se o verdadeiro valor da formação acadêmica. A educação entra como alavanca propulsora da prestação de serviços com qualidade, do entendimento das necessidades dos clientes, da escolha eficaz de produtos, da visão global, enxergando toda a floresta e não somente as árvores. A partir deste instante, retirados da sombra dos excluídos pela falta de segurança em relação ao conhecimento requerido para um negócio, os varejistas buscam respostas milagrosas que, invariavelmente, passam pela necessidade de melhor qualificação pessoal.

Nos dias de hoje, o setor varejista já demonstra sinais de convicção acerca da importância da preservação do seu ímpeto comercial, na sua propensão em assumir riscos e na sua filosofia de trabalho sem, contudo, e não menos valoroso, aprofundar-se constantemente no seu crescimento pessoal e profissional. Nessa linha, assim como os negócios na área de serviços, o varejo permanece necessitando de mão-de-obra intensiva, isto é, os varejistas ainda precisam se apoiar nas pessoas para execução de inúmeras atividades básicas de varejo, como compras, exposição de mercadorias, fornecimento de serviços ao cliente, entregas, recebimento de mercadorias, operações de logística interna, entre diversas outras.

As organizações varejistas precisam se convencer da importância do investimento e estímulo na formação e desenvolvimento de seus profissionais. Os executivos necessitam ir além, sair do discurso rebuscado e da inércia e correr em campo para preencher uma lacuna há muito relegada ao sabor do acaso, do esporádico, do "quando der tempo" ou isso ou aquilo. Desculpas não faltam para não realizarmos algo, são sempre nobres e revestidas de uma forte dose de questões relacionadas às dificuldades com o orçamento anual...O desenvolvimento das pessoas precisa ser encarado como um investimento e, jamais, como um custo, um desperdício. Quem, nos dias de hoje, ainda tiver essa mentalidade, essa miopia, poderá amargar destinos nada nobres.

Investir na formação adequada ao nosso tempo e sintonizada com as tendências mercadológicas do varejo é um dos caminhos a ser perseguido. As empresas possuem uma missão inescapável, a realização de treinamentos que concretizem a verdadeira diferença, que saiam da mesmice e sejam factíveis de aplicação imediata no dia-a-dia. Só assim o setor se desenvolverá mais e poderá, com o tempo e persistência, galgar novos e felizes destinos.

O setor varejista urge por pessoas cada vez mais qualificadas, sob pena de estagnar. Um país só se desenvolve com pessoas qualificadas. Pode-se ter a melhor das melhores tecnologias existentes, quem irá operá-la? Quem precisará lidar com essas mudanças constantes? Somente os melhores sobreviverão. É uma verdade inquestionável, não existem melhores, sem educação.

 


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