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"Não
é de hoje que as teorias da motivação
tentam explicar as diversas razões
para a eterna dicotomia na relação
homem-trabalho. A visão de que o trabalho
é algo ruim e necessário, é
como um remédio de gosto amargo. Não
queremos, entretanto, sem que o tomemos, jamais
melhoraremos. Esta imagem acerca do trabalho
vem sendo compartilhada por diversos pensadores
da administração ao longo dos
tempos. Certo ou errado, existe um senso comum
acerca do quanto o trabalho é o oposto
de diversas atividades prazerosas que realizamos."
Antonio Luiz M. Almeida Jr.
Diretor da Escola Superior Candido Mendes
Universidade Candido Mendes
E-mail: aluizjr@candidomendes.edu.br
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Nessa
linha, os dirigentes deveriam procurar
mecanismos para tornar o ambiente de trabalho
em algo produtivo, alegre e agradável.
Somente assim as empresas serão
capazes de concorrer positivamente para
a motivação e satisfação
dos seus empregados.
(...) O Trabalho era visto como o contrário
do lazer, e este como a atividade liberatória
da autoridade e da concepção
do dever. O lazer autêntico envolve
autonomia do indivíduo sobre o
tempo a ele dedicado. Por outro lado,
o trabalho restringe a autonomia e significa
conformidade com necessidades primárias
de sobrevivência e luta contra o
ambiente no qual o homem vive. (MOTTA,
2000:187)
Sabedores dessa disputa entre necessidades
primárias (trabalho) e prazer (lazer),
os dirigentes devem se empenhar em produzir
um ambiente organizacional propício
para o desabrochar de atividades prazerosas.
Não se trata de tornar as empresas
em grandes salões de festas, e
sim, formalmente, de deixar fluir boas
relações individuais entre
os empregados e suas tarefas, com total
anuência. Deste modo, gradativamente,
ocorrerá a diminuição
do gap entre motivação e
satisfação em relação
à obrigatoriedade de se realizarem
tarefas (trabalho). Cada empregado poderá,
com o tempo, tornar-se fiel ao "cumprimento"
de atividades que, no mesmo momento, garantem
seu sustento (necessidades primárias)
e somam prazer nesta difícil equação
a ser equilibrada.
Não há sensação
pior no trabalho do que perceber que toda
vez que realizamos algo "diferente"
do esperado, podemos estar infringindo
alguma coisa e, como tal, desagradando
aos princípios e valores da empresa.
Executar uma atividade de maneira diferente,
não significa, necessariamente,
realizá-la de maneira errada. É
uma dificuldade recorrente dos "gestores
modernos" conseguirem conceber que
existem outras formas e muitas vezes mais
eficientes de se realizar determinado
grupo de atividades.
É uma miopia antiga e ferrenha
que prima por mecanismos de controles
complexos e repressores e não pela
visualização dos resultados
concretos e aferição de
metas. Estes, indubitavelmente, demonstram
de maneira inabalável a eficiência
conquistada. Na grande maioria dos setores
econômicos, o modo como realizamos
determinado trabalho não é
tão relevante, quando comparamos
com os resultados advindos deste trabalho.
Medir os resultados e deixar os trabalhadores
livres para criar, desenvolver novos métodos
e facetas é um dos segredos do
incremento da motivação
no dia-a-dia.
Assim, por tudo isso, é justo pensarmos
que a visão comum acerca do trabalho
é de algo nada agradável.
Quando falamos em motivação,
precisamos entrar nas fronteiras da relação
individual com o trabalho. A motivação,
sem dúvida, vem de dentro, todavia,
sem estímulos lícitos, constantes
e formais das organizações,
todo o ímpeto e desejo dos empregados
poderá ser desperdiçado
e, com o tempo, aniquilar o compromisso
dos mesmos com a organização.
Empregados motivados e valorizados pelas
suas empresas atraem outros bons e motivados
profissionais, são infinitamente
mais comprometidos com os resultados e
com a organização, buscam,
constantemente, melhores qualificações,
são proativos e, acima de tudo,
querem o melhor para a empresa, pois sabem
que o melhor da empresa será o
melhor para o futuro deles. Não
investir nas pessoas e nas suas satisfações
com o trabalho é o pior investimento
que uma empresa pode realizar.
A motivação, portanto, não
é obra única e exclusiva
da automotivação do indivíduo
que, por si só, possui inúmeros
pensamentos conflitantes para lidar e
resolver, mas, sobretudo, a motivação
precisa ser constantemente estimulada
pelas empresas. Existem inúmeras
formas de uma organização
estimular a satisfação com
o trabalho, resta saber, se essa busca
pela motivação e satisfação
é realmente desejada por toda a
cultura da empresa. São valores
que precisam estar absorvidos por toda
organização, uma vez que
atos isolados não surtirão
efeito positivo, muito pelo contrário.
Quebrar paradigmas e transformar a organização
em uma instituição que realmente
valorize o empregado é o primeiro
passo para uma empresa que deseja efetivamente
conquistar e desenvolver a motivação
e satisfação de seus empregados.
Sem dúvida, não é
um passo fácil, pois se o fosse,
todos já teriam feito.
Em verdade, é uma decisão
dificílima abrir mão do
foco puramente financeiro (lucros) em
prol da realização de investimentos
nas pessoas, o que, no longo prazo, e
somente no longo prazo, poderá
trazer maiores lucros.
Quantos empresários estão
dispostos a deixar de lucrar hoje para
lucrarem mais amanhã?
Bibliografia:
Motta, Paulo Roberto. Gestão
Contemporânea: A Ciência e
a Arte de Ser Dirigente.
Rio de Janeiro: 11a edição.
Record, 2000. |
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