| |
 |
 |
|
"Nos
dias de hoje, com o incremento da concorrência
em torno dos melhores, dos verdadeiros talentos
humanos, os gestores e executivos, invariavelmente,
passam pelo mesmo triste ritual, o da despedida
de um funcionário precioso. Para os
que desenvolveram suas equipes, articularam
seu entrosamento, investiram na formação
dos seus talentos, é um momento, no
mínimo, muito estranho e decepcionante.
A sensação é similar
à da derrota quando o seu time estava
atacando, bem estruturado, arquitetando jogadas
de efeito, passes precisos e a perspectiva
de aplicar uma goleada no adversário.
Repentinamente, surge do nada um atacante
do outro time e pimba! Golaço, de bicicleta,
finalmente cai a ficha, seu time está
perdendo, não há mais tempo
para reação...Já era,
foi-se."
Antonio Luiz M. Almeida Jr.
Diretor da Escola Superior Candido Mendes
Universidade Candido Mendes
E-mail: aluizjr@candidomendes.edu.br
|
| |
|
|
Em
geral, as organizações tentam,
em vão, desorganizadas, sem plano
de jogo, digo, usando a tática
do milho para as galinhas, todo mundo
correndo e procurando o gol. A intenção
principal dos gestores consiste de alguma
forma em encontrar mecanismos para procurar
confundir a cabeça do talento assediado.
É dizer o quanto o atacante é
importante para o conjunto, que não
se deseja a sua saída e que os
dirigentes tentarão lutar até
o fim para mantê-lo no time. Fala-se
que jamais será encontrado um jogador
como ele bem como se mente sobre outras
coisas... Novidade é sempre uma
bela novidade, o ruim é que deixa
de o ser bem rápido, um novo ciclo
se inicia, quando outro termina. Nunca
demora muito a acontecer. Não adianta
se iludir com as seduções
das perspectivas de mudança, pois
em breve, o que não se percebeu
na entrevista de seleção,
não tardará a aparecer,
azedando aquela imagem perfeita.
Nessas horas, um monte de coisas agita
a cabeça dos talentos. O desejo
de algo novo, diferente, mudar de ar.
Novas perspectivas não sei porque,
são geralmente fantásticas
e irrecusáveis. Financeiramente
são sempre melhores. Como todos
os jogadores, os talentos também
desejam realizar sua "independência
financeira", coincidência ou
não, vislumbrada em outro ambiente
que não no atual. Idealizam-se
os sonhos mais bonitos, imaginam-se sentados
em uma mesa nova, sem aquele arranhão
da gaveta atual, um novo e mais potente
computador, o carpete, sem dúvida,
será mais limpo que o recém
colocado na empresa, que, aliás,
a essa altura, já deve estar mais
encardido do que jamais se percebeu antes.
Fatores como esses podem ocupar centenas
de páginas e listas infindáveis
que os talentos formulam para se convencerem
de que é a melhor coisa a fazer.
No fundo, como dizem, a grama do vizinho
é mais verde. Não tem jeito,
é uma verdade inegável,
temos de aprender a conviver com isso.
As organizações devem buscar
mecanismos que permitam motivar, desafiar
e reter seus talentos ao longo do jogo
empresarial. Não adianta correr
atrás do placar quando já
se está perdendo o jogo. Por que
não avançar antes e tentar
marcar os gols? Por que esperar para ver
o que o outro fará? As pessoas
e empresas costumam atuar habitualmente
de maneira reativa, buscam mudanças
e soluções milagrosas em
momentos em que simplesmente não
cabe este tipo de ação.
Não deveríamos aprender
com os erros e mudar como diz o ditado
popular? Por que não conseguimos
empregar este singelo pensamento?
É inevitável. Em geral,
o índice de retenção
de um talento que foi assediado é
mínimo, por diversas razões
e nobres desculpas. Sabedores disso, mais
um bom motivo para não esperarmos
o tempo passar, vamos atuar agora, o momento
é esse. Reflita, o que você
tem feito para tornar a sua empresa e
seus talentos humanos mais felizes com
o trabalho deles? Quando esses talentos
vão embora, vem o recomeçar,
vem a sensação de perda
e de decepção, desenvolvemos
uma postura contrária à
pessoa, nada mais que ela tenha a dizer
depois de anunciada a possível
mudança nos interessa ouvir, descartamos
tudo imediatamente. No fundo, começamos
a procurar outra pessoa, mentalmente,
apesar das tentativas de resgatar a permanência
do talento. É como se colocássemos
uma divisão intransponível,
antes e depois do anúncio da saída.
Aonde chegaremos com essa atitude? Não
parece mais óbvio desenvolvermos
atividades e ações que incentivem
a satisfação e compromisso
do talento com a organização?
Se sim, por que não o fazemos?!
De fato, se as empresas não conseguem
recuperar um talento que está em
vias de seguir outro rumo, pelo menos
podem tentar atrasar sua saída...Quando
a morte é inevitável, a
melhor coisa é garantir a dignidade
e a relação profissional.
Se assim for, respeita-se a colocação
do jogador, digo, do talento, muda-se
de posição, assumimos o
nosso lugar nas arquibancadas da vida
corporativa e passamos a aplaudir e desejar
o melhor nos próximos jogos. Nunca
se sabe quando voltaremos a jogar com
esse time ou contra o mesmo adversário.
Ganhar todos os jogos é muito bom.
Chegar à final em todos os campeonatos
é muito mais. As vitórias
e títulos são conseguidos
com cooperação e trabalho
de equipe liderado com inspiração
e competência.
A prática traz a perfeição,
vamos parar de falar e reagir ao sabor
dos acontecimentos. Pratiquemos constantemente
a excelência no ambiente de trabalho,
o respeito pelos valores e expectativas
dos talentos, desenvolvamos verdadeiras
oportunidades de carreira, treinemos,
conversemos e comuniquemos em todos os
instantes, realizando uma verdadeira gestão
participativa, entre vários outros
aspectos.
Se não podemos equiparar propostas
financeiras, produzamos um ambiente profissional
tão saudável e cativante,
que será difícil dar as
costas para isso. Quanto vale este ambiente?
Talvez não compense ganhar mais
financeiramente em detrimento de um ambiente
de trabalho não tão saudável
e cativante, ou não? Vamos refletir
e, imediatamente, agir. Precisamos voltar
a campo, ensaiar e praticar, o campeonato
já está recomeçando. |
|
|
|
|
|
|