"A cada dia que passa o ambiente de trabalho adquire novos contornos e importância. As empresas que ainda não atentaram para a sua relevância e impacto perante os seus empregados bem como para os resultados dos mesmos, poderá amargar a perda de inúmeros talentos de suas equipes"

Antonio Luiz M. Almeida Jr.
Diretor da Escola Superior Candido Mendes
Universidade Candido Mendes
E-mail: aluizjr@candidomendes.edu.br

 
ARTIGO
Segundo Stephen Lundin em seu livro Fish!, as pessoas passam cerca de 75 por cento de seu período de vigília na fase adulta realizando atividades que guardam alguma relação com o trabalho - aprontando-se para ir trabalhar, deslocando-se para o trabalho, trabalhando, cogitando de outros trabalhos e tentando relaxar depois do trabalho.

Se concentramos tanto tempo no trabalho, temos de aproveitá-lo ao máximo, com energia e vibração. Apesar desta constatação, existem inúmeras pessoas que apenas gastam o tempo no trabalho para poderem satisfazer as suas necessidades e realizações em outros lugares e situações pessoais.

Neste momento, cabe uma indagação. Qual o receio das organizações em contribuírem por um ambiente de trabalho mais feliz e satisfatório? Algum medo de que, possivelmente, uma distração ou outra em momentos não tão adequados venham a corroer toda uma estrutura organizacional? Os gestores precisam repensar os seus papéis, precisam refletir acerca de como realmente estão contribuindo para a formação de um ambiente de trabalho favorável. Ainda na ótica de Stephen Lundin, as pessoas gostam de trabalhar num ambiente que seja divertido, cheio de energia, e onde elas possam exercer um papel especial. (...) evita o desânimo e o esgotamento, mantendo a empolgação de cada um com seu trabalho.

Por que os executivos dão tão pouca importância para este quesito que sustenta grande parcela das intenções de mudança de emprego dos talentos? Segundo pesquisa realizada com cento e quarenta empresas brasileiras no ano passado, pela empresa de consultoria Towers Perrin acerca dos principais fatores de atração e retenção de talentos e, publicada no jornal Valor Econômico em junho/2001, 61% dos entrevistados demonstraram a relevância do ambiente de trabalho como fator decisivo na sua permanência ou saída de uma empresa. Este item só perde para o fator salarial (67%), ficando a frente ainda, da imagem da empresa (49%), remuneração variável (49%) e desafios profissionais (47%).

O ambiente de trabalho é composto não só da sua infra-estrutura física e técnica bem como e, sobretudo, pelas pessoas que o utilizam. São as pessoas que fazem a diferença, que contribuem ou não para um ambiente saudável e desejado. As suas atitudes são vitais para a mudança de um ambiente organizacional.
Ademais, as organizações possuem uma parcela relevante no sucesso de um ambiente corporativo, por intermédio da definição das políticas de recursos humanos, do que pode e o que não pode ser realizado, da oferta de condições físicas adequadas e, principalmente, pelo estímulo freqüente à integração das pessoas e equipes, pela clareza nas metas e objetivos e pela transparência incondicional no que tange às comunicações e decisões empresariais.

Quando as atitudes dos empregados somam-se aos esforços efetivos das suas organizações, o melhor ambiente de trabalho poderá ser formado. É uma parceria de sucesso. A empresa ganha o compromisso, a dedicação, o empenho e, sobretudo, a satisfação do empregado em poder participar dessa "equipe vencedora". Por outro lado, o empregado beneficia-se de um ambiente flexível, agradável, criativo e incentivador das suas realizações. O empregado deixa de ser um simples "funcionário", para ser um replicador importante dessa cultura por toda a organização.

Num ambiente propício para o bem-estar, iniciativas e orientações por parte dos empregados e com perfeita aceitação e estímulo dos executivos, acabam por incentivar ainda mais o surgimento de "regras de convivência" que, nada mais são do que a expressão da felicidade que se tem em poder participar de um ambiente gratificante. Neste sentido, como atesta Lundim, a criação das tais "regras de convivência" poderia assim ser exemplificada: ao entrar neste local de trabalho, por favor, escolha fazer deste dia um dia especial. Seus colegas, clientes, funcionários e você mesmo ficarão gratos. Não deixe de brincar. Podemos ser sérios em nosso trabalho sem sermos sisudos. Permaneça centrado na idéia de se fazer presente quando seus clientes e funcionários mais precisarem de você. E se você sentir que a sua energia está se esvaindo, experimente esse remédio certeiro: procure alguém que esteja precisando de uma mão amiga, uma palavra de apoio, ou de quem a ouça - e alegre o dia dessa pessoa.

Possivelmente, as empresas ainda não demonstram preocupação com este aspecto. Fato é que, com a queda qualitativa da atmosfera de trabalho, ocorre também a saída dos talentos humanos das empresas, pois estes, buscam melhores ofertas de trabalho como um todo, isto é, retornos financeiros, novos e "velhos" desafios, perspectivas de crescimento e, porque não, melhor ambiente de trabalho entre vários outros aspectos.

Não podemos fechar os olhos para a importância de um bom ambiente de trabalho, trata-se de um aspecto tão relevante quanto qualquer outro e, portanto, merece toda atenção e destaque pelas organizações em geral. O que você tem feito pela satisfação dos seus colaboradores no que tange ao ambiente de trabalho da empresa?



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